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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

FESTIVIDADE AO ORISÁ SÁNGÒ

SÁNGÒ (ORISA)


Estamos nos dias em que festejamos o Orisá SÁNGÒ, em especial a nossa Casa, por se tratar de um seguimento de fundamentação desse Orisá. Somos da Nação Nagô e os fundamentos de nosso grupo está sob o nome de ASÉ ÒPÓ AGANJÚ ONÍ ÒIÓ YORUBA. No próximo dia 04/10/2009, o C.P.P.E. Caridade, estará festejando o ORISÁ SÁNGÒ com todos os seus inciados na religiosidade africana.
Sango, é Orixá, de origem Yorubá. Seu mito conta que foi Rei da cidade de Oyo, identificado no jogo do merindilogun pelos odu obará, ejilaxebora e representado materialmente e imaterial pelo candomblé, através do assentamento sagrado denominado igba xango.
Pierre Verger dá como resultado de suas pesquisas que: Sango ou Xangô, como todos os outros imolè (orixás e ebora), pode ser descrito sob dois aspectos: histórico e divino.
Como personagem histórico, Xangô teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó, "Rei de Oyo", filho de
Oranian e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Oranian.
Sango, no seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado porém, tendo
Yemanjá como fonte original e três divindades como energias adjacentes: Oyá, Oxum e Obá.
Sango é o Orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores.
Sacerdote de Sango - Magba
Sacerdotisa de Sango - Iya Magba
Atabaque de Sango - Ilu bata
Toque favorito - Alujá
Fruto favorito - Orogbo
Bichos - Akunko, Agutan, Ajapá
Comida -
Amalá
A característica do orixá do trovão é dada para a divindade
Ayrà na cidade de Savé na região Mahi, região situada no Benin, antigo Dahomé, para Oramfé na cidade de Ifé na região Ijexá e para Xangô na cidade de Oyo na região Yorubá, regiões situadas na Nigéria.
Sérgio Pereira/Kajaide
Orientador Espiritual
Ano de Osalá/Sol
"Eu Penso! Eu Faço!"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

VIDA E MORTE DOS SANTOS COSME E DAMIÃO.

SÃO COSME E SÃO DAMIÃO
ACTA e PASSIO

Biografia
São Cosme e São Damião, os santos
gêmeos, morreram em cerca de 300 d.C. Sua festa é celebrada em 27 de setembro.
Há relatos que atestam serem originários da
Arábia, de uma família nobre de pais cristãos, no século III. Seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio.
Estudaram
medicina na Síria e depois foram praticá-la em Egéia. Diziam "Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder".
Exerciam a medicina na Síria, em Egéia e na
Ásia Menor, sem receber qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de anargiros, ou seja, inimigos do dinheiro.
Cosme e Damião foram martirizados na
Síria, porém é desconhecida a forma exata como morreram. Perseguidos por Diocleciano, foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma.
Foram sepultados no maior
templo dedicado a eles, feito pelo Papa Félix IV (526-30), na Basílica no Fórum de Roma com as iniciais SS - Cosme e Damião.
[
editar] Versões de suas mortes
Há várias versões para suas mortes, mas nenhuma comprovada por
documentos históricos. Uma das fontes relata que eram dois irmãos, bons e caridosos, que realizavam milagres e por isso teriam sido amarrados e jogados em um despenhadeiro sob a acusação de feitiçaria e de serem inimigos dos deuses romanos.
Segundo outra versão, na primeira tentativa de matá-los, foram afogados, mas salvos por
anjos. Na segunda, foram queimados, mas o fogo não lhes causou dano algum. Apedrejados na terceira vez, as pedras voltaram para trás, sem atingi-los. Por fim, morreram degolados.
Conta-se que eram sempre confiantes em
Deus, que oravam e obtinham curas fantásticas. Também foram chamados de "santos pobres".
A partir do século V os milagres de
cura atribuídos aos gêmeos fizeram com que passassem a ser considerados médicos. Mais tarde, foram escolhidos patronos dos cirurgiões.
Segundo a crença popular apareceram materializados depois de mortos, ajudando
crianças que sofriam violências.
Ao gêmeo Acta é atribuído o milagre da
levitação e ao gêmeo Passio a tranqüilidade da aceitação do seu martírio. Segundos algumas pesquisa eles eram medicos e faziam curas e não gostavam de receber dinheiro por suas consultas e nem recebiam oferendas por curarem os enfermos na epoca o rei da Siria
Relação com as
religiões afro-brasileiras
O dia de São Cosme e Damião é celebrado também pelo Candomblé, Batuque, Xangô do Nordeste, Xambá e pelos centros de Umbanda onde são associados aos ibejis, gêmeos amigos das crianças que teriam a capacidade de agilizar qualquer pedido que lhes fosse feito em troca de no dia de sua comemoração dar doces e guloseimas e o famoso caruru as crianças e devotos. O nome Cosme significa "o enfeitado" e Damião, "o popular".
Estas religiões os celebram no dia
27 de setembro, enfeitando seus templos com bandeirolas e alegres desenhos, tendo-se o costume, principalmente no Rio de Janeiro e Salvador, de dar às crianças (que lotam as ruas em busca dos agrados) doces e brinquedos.

Sérgio Pereira/Kajaide

Orientador Espiritual

Ano de Osalá/Sol

"Eu Penso! Eu Faço!"


quinta-feira, 30 de julho de 2009

SANTA ANA/SANT'ANA - HISTÓRICO

SANTA ANA OU SANT’ANA

Histórico

Os dados biográficos que sabemos sobre os pais de Maria foram legados pelo Proto-Evangelho de Tiago, obra citada em diversos estudos dos padres da Igreja Oriental, como Epifânio e Gregório de Nissa. SANTA ANA ou Sant'Ana, cujo nome ANA em hebraico significa GRAÇA, pertencia à família do sacerdote Aarão e seu marido, São Joaquim pertencia à família real de Davi. Seu marido, Joaquim, homem pio fora censurado pelo sacerdote RÚBEN por não ter filhos (aqui se confirma o porque de Jesus não ter sido um homem solteiro. Os judeus daquela época cobrava muito que um homem cedo forma-se uma familia. A esposa de JESUS, foi o seu disciplo amado, ou seja, MARIA MADALENA, com quem teve filhos). Mas Sant’Ana já era idosa (para aquele tempo) e estéril. Confiando no poder divino, Joaquim retirou-se ao deserto (era hábito fazer isso) para rezar e fazer penitência. Ali um anjo do SENHOR lhe apareceu, dizendo que DEUS havia ouvido suas preces. Tendo voltado ao lar, algum tempo depois ANA ficou grávida. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus. Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Santana; e aí, num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de MIRIAM, que em hebraico significa "SENHORA DA LUZ", passado para o latim como MARIA. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos de idade, tendo lá permanecido até os doze anos.
A devoção aos pais de MIRIAM (MARIA) é muito antiga no Oriente, onde foram cultuados desde os primeiros séculos de nossa era, atingindo sua plenitude no século VI. Já no ocidente, o culto de Sant’ana remonta ao
século VIII, quando, no ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla, donde foram distribuídas para muitas igrejas do ocidente, estando a maior delas na igreja de Sant’Ana, em Düren, Renânia, Alemanha. Seu culto foi tornando-se muito popular na Idade Média, especialmente na Alemanha. Em 1378, o Papa Urbano IV oficializou seu culto . Em 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data da festa de Sant’Ana em 26 de Julho, e o Papa Leão XIII a estendeu para toda a Igreja, em 1879.Em França, o culto a SANT’ANA (mãe de Maria) teve um impulso extraordinário depois das aparições da Santa em Auray, em 1623. Tendo sido São Joaquim comemorado, inicialmente, em dia diverso ao de SANT’ANA, o Papa Paulo VI associou num único dia, 26 de julho,
OBS: SE USA A APÓSTROFE AO NOME DE SANT’ANA, PARA NÃO FICAR REPETITIVO A LETRA “A”, MAS TRATA-SE DA MESMA ENTIDADE.
Sérgio Pereira/Kajaide
Orientador Espiritual
Ano de Osalá/Sol.
“Eu Penso! Eu Faço!”.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

HISTÓRIA/BIOGRAFIA

CENTENÁRIO DA RELIGIÃO UMBANDA 1908-2008.
HISTÓRICO DA FUNDAÇÃO DA UMBANDA.


Pesquisa feita pelo Prof. Sérgio Pereira/Kajaide

Caboclo das Sete Encruzilhadas (espírito) foi desta entidade a autoria da mensagem transmitida em sessão da Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro (então sediada em Niterói), a 15 de novembro de 1908, por intermédio da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, no distrito de Neves, em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro.
Este Sr. Zélio Fernandino de Moraes, foi o 1° médium da Umbanda, recebendo o espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas ( Padre Jesuíta Gabriel Malagrida)

Naquela ocasião, tendo o dirigente determinado que Zélio ocupasse um dos lugares à mesa. Nessa época Zélio possuia apenas 17 anos de idade. Em determinado momento dos trabalhos, tomado por uma força desconhecida e superior à sua vontade, contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer um dos integrantes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma
flor!", retirando-se ato contínuo da sala. Retornou em poucos momentos, trazendo uma rosa, que depositou no centro da mesa. Esse gesto causou um princípio de polêmica entre os presentes. Restabelecida a "corrente", manifestaram-se, em vários dos médiuns presentes, espíritos que se identificaram como de indígenas ou caboclos e de escravos africanos. O dirigente dos trabalhos convidou esses espíritos a se retirar advertindo-os acerca do seu (deles) atraso espiritual.
De acordo com entrevista do próprio Zélio, nesse momento ele sentiu-se novamente dominado pela estranha força, que fez com que ele falasse, sem saber o que dizia. Ouvia apenas a sua própria voz, perguntando o motivo que levava o dirigente dos trabalhos a não aceitar a comunicação daqueles espíritos, e porque eram considerados "atrasados" apenas pela diferença de cor ou de classe social que revelaram ter tido na última encarnação.
Seguiu-se um diálogo acalorado, e os resposáveis pela mesa procuraram doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que estaria incorporado em Zélio, desenvolvendo uma sólida argumentação. Um dos médiuns
videntes perguntou então:
"-Afinal, porque o irmão fala nesses termos, pretendendo que esta mesa aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? E qual é o seu nome, irmão?"
A resposta de Zélio, ainda tomado pela misteriosa força, foi:
"-Se julgam atrasados estes espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho (o médium Zélio), para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem, e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E, se querem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim."
O médium vidente insistiu, com
ironia: "-Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto?" Ao que a entidade respondeu: "- Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei!"
Ainda de acordo com o relato de Zélio, no dia seguinte, a
16 de novembro, na residência de sua família, na rua Floriano Peixoto n° 30, em Neves, ao se aproximar a hora marcada, 20 horas, já ali se reuniam os membros da Federação Espírita, visando comprovar a veracidade do que havia sido declarado na véspera, alguns parentes mais chegados, amigos, vizinhos, e, do lado de fora da residência, grande número de desconhecidos.
Às 20 horas, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas, declarando que, naquele momento, se iniciava um novo culto em que os espíritos dos novos e velhos africanos, que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de ação nos remanescentes das seitas negras e os índios nativos do Brasil poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da
caridade (amor fraterno), seria a tônica desse culto, que teria como base o Evangelho (a mensagem, a boa nova) de Cristo e como mestre supremo, Jesus, o Crístico.
Após estabelecer as normas em que se processaria o culto, deu-lhe também o nome, anotado por um dos presentes que ouviu como Allabanda, mas depois foi confirmado como Aumbanda, que em
sânscrito (língua morta da Índia), pode ser interpretada como "Deus ao nosso lado" ou "o lado de Deus". Vindo mais tarde se popularizar como Umbanda.
Fundava-se, naquele momento, a
Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, assim denominada "porque assim como Maria acolhe o filho nos braços, também seriam acolhidos, como filhos, todos os que necessitassem de ajuda ou conforto".
Após responder, em
latim e em alemão, às perguntas de sacerdotes ali presentes, o Caboclo passou à parte prática da sessão, promovendo a curas, passes e
Estava fundada a Umbanda no Brasil. Anos mais tarde, o dia 15 de novembro, seria considerado como Dia Nacional da Umbanda.
Dez anos mais tarde, o Caboclo das Sete Encruzilhadas declarou que a iniciava a segunda parte de sua missão: a criação de sete templos que seriam o núcleo a partir do qual se propagaria a religião de Umbanda. A tarefa ficou completa com a fundação do sétimo templo de Umbanda, a
Tenda São Jerônimo (a Casa de Xangô), em 1935.
Em
1939, o Caboclo determinou que se fundasse uma federação, posteriormente denominada como União Espiritista de Umbanda do Brasil[3], visando atuar como núcleo central doutrinário e congregar os templos umbandistas.
A entidade trabalhou até meados da
de 1975, quando em outubro Zélio Fernandino de Moraes faleceu, aos oitenta e quatro anos de idade.

BIOGRAFIA DO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS E DE GABRIEL MALAGRIDA

Padre Gabriel Malagrida. (Jesuita).
Este padre é o Caboclo das Sete Encruzilhadas


Gabriel Malagrida nasceu padre:Ainda pequeno, na cidade de Menaggio, no Norte da Itália, aprendeu com o pai Giácomo, o dom da caridade. O patriarca era médico de renome, consultado até por príncipes, mas dedicava boa parte do trabalho ao cuidado de doentes pobres que visitava nas distantes montanhas. Gabriel ia junto. Adorava estudar religião e aproveitava as férias para ensinar catecismo aos irmãos e colegas da rua. Sua brincadeira predileta era montar altar no quintal. A mãe, Ângela, chamava o filho de ‘‘o anjo da casa’’. Era morada cheia de religiosidade. Na parte nobre da casa, havia o que os Malagridas apelidaram de o ‘‘quarto do santo‘‘ por conta do teto coberto de pinturas de Nossa Senhora. O sonho do casal era ver os filhos formados padre e rezando missa ali. O projeto deu certo. Dos onze herdeiros, três viraram sacerdotes. Aos 12 anos, o pequeno Gabriel foi estudar no colégio dos padres Somascos, na cidade de Como. Não era um aluno como os outros; tinha hábitos estranhos. Mordia os dedos até sangrar e quando lhe perguntavam a razão daquilo respondia: ‘‘é para a salvação dos infiéis’’. Nascia assim o costume das penitências físicas que o acompanhou até o fim da vida. Em 1713, no seminário, em Gênova, onde se formou jesuíta com 24 anos chegava a fazer jejuns três vezes por semana. Dizia que era para refrear a natureza e guerrear contra as tréguas do corpo. Era comum ele se açoitar publicamente. Uma vez, em Salvador, na Bahia, Malagrida rezava o sermão na Matriz quando lhe apontaram um homem pecador, cheio de vícios e de ‘‘ignóbeis costumes’’. Como não conseguia, com palavras, converter o cidadão, Malagrida, então, bateu-se com o chicote até o sangue espirrar de suas costas. Ao assistir à dolorida cena, o pecador não se conteve: em lágrimas, ajoelhou-se nos pés do padre, implorando com gemidos o perdão de seus crimes.
Mas a maior missão do Padre Gabriel Malagrida estava para ocorrer na terra dos brasis, o nosso Brasil, em especial no Piauí, Maranhão, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Junto com o Dizia Malagrida: ‘‘Aos povos de Itália não cansam meios de chegar à salvação; além-mar, pelo contrário, inúmeras nações jazem ainda nas trevas da idolatria: vamos acudir a essas almas desamparadas’’. Com esses argumentos, Gabriel Malagrida convenceu o Bispo Geral dos Jesuítas a virar missionário nas Américas. Assim, trocava os estudos avançados de teologia e literatura pela catequese dos índios. Saiu de Lisboa e desembarcou em São Luís do Maranhão no final do ano de 1721, mas demorou dois anos até ser mandado para a primeira missão com os índios. Seus superiores preferiam o erudito religioso nas salas de aula dos seminários de jesuítas e achavam que Malagrida não estava preparado para o convívio com os arredios nativos. Depois de muitas súplicas, o padre conseguiu realizar o antigo sonho. Foi missionário indígena entre 1723 e 1729. Percorria as matas a pé, vestido com a batina preta típica dos jesuítas. Não era a melhor maneira de atravessar o interior maranhense. ‘‘Quem quer andar por essas terras tem que se proteger do mato com roupa de couro e andar sempre a cavalo ou num burro’’, ensina José Assunção e Silva, o Zé Doca, boiadeiro na região de Caxias, antiga Aldeias Altas. Nesse lugar, Malagrida passou em 1726 para catequizar os Guanarés, etnia desaparecida do Maranhão. No Século XVIII, esses índios eram numerosos e arredios ao contato com os brancos. Já haviam sofrido com os portugueses quando Malagrida iniciou o trabalho de catequese. Penou até conquistar a confiança dos Guanarés. Chegaram a decidir em assembléia que matariam o padre. Só conseguiu escapar porque na hora da excução, uma índia velha conteve o braço do nativo. ‘‘Suspende’’, gritou a mu-lher. Explicou que da última vez em que um índio matou um padre roupeta-negra, terminou devorado por vermes. Assustados, os Guanarés liberaram o jesuíta. ‘‘Dificilmente se reconhece o tipo humano nos índios moradores desta região. Abrigam-se em cavernas como as feras e alimentam-se unicamente de caça. Às vezes travam-se em pelejas e então devoram os vencidos’’, descreveu Mathias Rodrigues, um dos companheiros de apostolado de Malagrida e que escreveu relatos do tempo em que os dois estiveram no Brasil. O manuscrito de Rodrigues está hoje na biblioteca dos padres boulandistas, em Bruxelas, na Bélgica, mas o professor Vitor Leonardi conseguiu cópia microfilmada da preciosidade. ‘‘É o documento mais importante sobre Malagrida’’. Pelas linhas escritas por Mathias Rodrigues, Malagrida ainda considerava os índios bárbaros selvagens, mas não aceitava sua escravidão. Durante os seis anos em que conviveu com tribos do Pará e do Maranhão, o jesuíta defendeu a tese de que as aldeias deveriam ficar longe do contato com os portugueses. Temia pela saúde moral e física dos nativos. Ou seja, combatia a tradição dos colonizadores que pegavam índios para trabalhar na lavoura de cana-de-açúcar. Em 1729, Malagrida foi retirado da missão indígena e levado para São Luís.
A vida na capital não sossegou o padre. Em São Luís, iniciou nova etapa de sua jornada: a de missionário popular. Ao invés de índios, cuidava agora dos brancos, moradores da periferia. Dava aula de teologia durante a semana e aos sábados partia para os povoados vizinhos de São Luís. Era livro grosso com as rezas cotidianas que, por vezes, servia de travesseiro quando o religioso adormecia no mato. Para se proteger da floresta fechada, usava um cajado, até bem pouco tempo guardado na Itália como relíquia e apelidado de ‘‘o bordão do peregrino’’ ‘‘Malagrida era pregador carismático’’, explica Miguel Martins Filho, 39 anos, padre, professor de literatura e diretor do Instituto Gabriel Malagrida, em João Pessoa. É ali que se formam todos os jesuítas brasileiros. O que Miguel chama de carisma aparece no jeito de Malagrida atrair os ouvintes. Nos dias santos em São Luís juntava os fiéis em frente a igreja e com um estadandarte nas mãos, saíam todos em procissão cantada pelas ruas da cidade. Paravam nas praças e o padre reunia o povo em volta dele. Ali, dava aula de catecismo, representava teatralmente as principais passagens bíblicas e depois interrogava a platéia sobre o assunto. Falava aos fiéis sobre a importância da reconciliação entre inimigos O povo passou a tratar Malagrida como ‘‘o profeta’’. Carregou esta fama para sua grande viagem missionária, iniciada em julho de 1735 do Maranhão até a Bahia. Primeira longa parada: Piracuruca, no norte do Piauí. ‘‘Servia de igreja aí uma vil casa de farinha com quatro paredes mal pintados por cima, cheia de morcegos. Eu mesmo dei a idéia de construir grandiosa igreja. Todos ofereceram suas esmolas’’, conta Malagrida numa carta mandada ao Bisbo do Algarve, em Portugal. Passados 262 anos, o templo de Piracuruca está de pé. Para Malagrida, o Brasil parecia uma Babilônia de pecados. Em fevereiro de 1744, fazia missão no povoado de Várzea Nova, no interior da Paraíba. Hoje não há mais as curas providenciais do padre, porém quem adoece é atendido no posto de saúde de nome Gabriel Malagrida. Na frente, há uma enorme estátua de cimento do jesuíta Padre Gabriel Malagrida, que usando o pseudônimo de CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS fundou da Espiritualidade Maior a religião denominada UMBANDA.Em janeiro de 1754 Gabriel Malagrida embarcou para Lisboa certa de que conseguiria mais recursos para suas obras no Brasil. Enganou-se, embarcou para a morte. Famoso na corte por seu carisma de pregador, o padre Malagrida era o confessor da rainha, o que despertava ciúmes de poderosos emergentes como Sebastião José de Carvalho, o Marquês de Pombal. Quando a rainha morreu, em 1754, Pombal virou primeiro ministro de Dom Jose I e iniciou perseguição sistemática contra Malagrida. Irritou-se profundamente quando, após o terrível terremoto de Lisboa de 1755, o religioso escreveu panfletos associando a tragédia às maldades da corte. Pombal não se conteve. Conseguiu que Malagrida fosse mandado para a cidade de Setúbal. Em 3 de setembro de 1758, o rei D. José sofreu atentado quando voltava de uma farra noturna. O Marques de Pombal arranjou testemunhas para envolver Malagrida no caso. No dia 9 de janeiro de 1759, Malagrida foi preso por crime de lesa majestade. Ficou numa cadeia imunda, onde usava tinta das paredes para escrever dois textos religiosos: um sobre a vida de Sant’Ana e outro sobre o retorno do Anti-Cristo. Malagrida acreditava que o apocalipse aconteceria em 1999. O incansável Pombal aproveitou para denunciar Malagrida à Inquisição como herege, mas os próprios juízes do Santo Ofício admitiram que não houvesse razões para condenar o religioso. Pombal, então, destituiu o presidente do Tribunal e nomeou seu próprio irmão, Paulo de Carvalho. A outra questão era a guerra guaranítica, travada no Sul do Brasil. Os jesuítas se aliaram aos índios contra os portugueses que queriam ampliar as fronteiras do país. Isso tudo não culminou apenas na morte da Malagrida. Em 1759, Pombal expulsou os jesuítas dos domínios portugueses. Foi mais longe. Em 1773, conseguiu do Papa Clemente XIV, a extinção da Companhia de Jesus em todo o mundo. A Companhia só voltou a existir em 1814 e os jesuítas só retornaram ao Brasil no final do século