segunda-feira, 8 de junho de 2015

O QUE É O AJEUM?

                                
 
O QUE É O AJEUM ?

 A palavra ajeum (ajeun) é a contração das palavras awa  (nós) e jeun ou jé (comer), transformada poeticamente, em  "comer juntos", uma refeição grupal, comunal fundamentada no alimento.
O horário do ajeum, no Asé, é um momento solene, 
em que ocorre a reunião da comunidade em torno de um  alimento comum. É um momento de confraternização, encontros e reencontros, do qual participam até mesmo os visitantes da Casa. Um momento de equiparação, quando o alimento é dividido para produzir uma Comunhão.
As comidas servidas aos integrantes e amigos da Casa podem ser feitas por qualquer pessoa que saiba cozinhar, diferentemente do que ocorre, na confecção da comida das divindades.
É norma do Asé, oferecer comida uns aos outros, com formas distintas de ofertar e agradecer. Também no horário das refeições existe uma hierarquia.
O Sacerdote/Sacerdotisa, tem seu lugar resguardado à cabeceira da mesa e só participam de sua mesa, aqueles por ele(a) convidados, iniciados ou não.
Os yawôs que estiverem de preceito, comerão sentados em suas esteiras, em locais mais resguardados.
Os demais, sentam-se em seus respectivos banquinhos. O termo ajeum é muito abrangente, não se refere somente à comida destinada aos humanos, porque também é
denominativa da comida destinada aos Orixás. Para o seu preparo, porém, são exigidos alguns preceitos, tanto na montagem, como na entrega. Muitas vezes, o homem compartilha com o Òrìsà o mesmo alimento que lhe é ofertado.
Este momento, provoca a distribuição e a movimentação do Asé da Casa, fortalecendo e trazendo um maior entrosamento das forças divinas com o homem.
O alimento faz o ser humano mais feliz e proporciona um melhor equilíbrio e harmonia na comunidade....
No CPPE CARIDADE é nosso costume sempre estarmos alimentando o espírito e o corpo e confraternizando os aniversários com um bolo que é denominado de "Bolo do Crescimento". Ele é oferecido por quem está de aniversário à toda comunidade para juntos vibrar pela saúde, amizade e sucesso do mesmo(a). Em verdade estamos praticando um ritual de prosperidade onde todos vibram por um e um vibra por todos.
SÉRGIO PEREIRA/KAJAIDE
ORIENTADOR ESPIRITUAL
ANO DE ÒGUN E YEMANJÁ
"EU FAÇO!"

O VALOR DO PANO DA COSTA.

 
 
SOBRE O PANO-DA-COSTA!

 (por Mãe Stella de Oxóssi)

O pano-da-costa é a peça de maior significado para uma iniciada na  religião dos Òrìṣà, a qual deverá saber usá-lo corretamente, conforme a ocasião. Em primeiro lugar, é necessário que a mulher saiba escolher, adequadamente, o tecido para a confecção da referida peça. Este deve  ser de boa consistência, lembrando os tradicionais panos africanos.
É errado e antiestético pano-da-costa feito de panos leves, como a seda.
O pano-da-costa de tecido liso, deve ser de cores claras: branco, rosa suave,  bege, azulzinho... Nada de cores berrantes! O pano-da-costa pode ser de listras, quadros, a exemplo dos tradicionais modelos nigerianos, de nossas ancestrais. Pano-da-costa estampado, de cor forte, fino, causariam risos e  "diz-que-diz" entre as nossas avós.
O uso do pano-da-costa tem a ver com a ocasião. As diferenciações, em geral, dizem respeito às Ẹ̀gbó̩n, em virtude da bata. Lembro-me, com saudade, das senhoras antigas dando verdadeiras aulas sobre a referida peça do
vestuário feminino. Se não segurarmos esses ensinamentos, quem perde é a história. Pano-da-costa na cintura ou no peito, é demonstração de trabalho: usa-se desta maneira nas festas no Barracão e durante outros
rituais. Enfim, quando em função religiosa. Caso contrário o pano-da-costa é jogado no ombro direito, sendo este o uso tradicional adotado pelas africanas no dia a dia delas. Ao sentar-se, a Ẹ̀gbó̩n o coloca no colo.
O uso do pano-da-costa é obrigatório no Àṣẹ: saia, camisu e pano-da-costa são inseparáveis. A Iyawó vestida de saia, camisu, mas sem o pano-da-costa deixa muito a desejar. Iyawò não usa o pano na cintura, mas, sim, enrolado no peito. E a Ẹ̀gbó̩n que se compreenda e quiser dar o exemplo às Àbúrò, deve usar o pano-da-costa em qualquer ato litúrgico, a começar pela cozinha,
pois cozinhar para uma divindade é um importante ato sagrado.
O pano-da-costa é a peça feminina de maior significado histórico.
Em conjunto com o torso, faz parte do vestuário da africana, sobrevivência da Terra Mater, já que a saia, camisu e anáguas são heranças europeias,  de séculos passados.
 
SÉRGIO PEREIRA/KAJAIDE
ORIENTADOR ESPIRITUAL
ANO DE ÒGUN E YEMANJÁ
"EU FAÇO!"